Human Integration of Shape Primitives
Resumo do artigo
Introdução
Este artigo trata do reconhecimento de formas por seres humanos. Os autores utilizam um espaço paramétrico tridimensional para representação de algumas formas, e sugerem que o ser humano não representa as formas observadas de maneira integral, mas decompondo-as em parâmetros discretos, que devem ser integrados de alguma maneira para se obter informações completas sobre a forma.
Método Utilizado
Foram realizados diversos experimentos sobre identificação de formas
com alguns indivíduos. No caso de um indivíduo que tinha deficiências numa determinada área do cérebro (córtex inferior temporal), notou-se que
ele tinha alta taxa de erros ao realizar a identificação de formas como frutas e legumes.
Definiu-se então um espaço paramétrico tridimensional em função da elongação, forma cônica e curvatura dos objetos. Através da deformação de um círculo por variações destes três parâmetros, era possível obter um grande conjunto de formas semelhantes às encontradas em frutas e legumes.
Utilizando-se destas formas sintetizadas, foram realizados experimentos com o indivíduo deficiente tendo em vista medir a taxa de erro ao reconhecer as formas em determinadas condições.
Resultados
O resultado dos experimentos sugere que o ser humano se utiliza de combinações de parâmetros discretos para identificar formas. O indivíduo com deficiências no córtex inferior temporal errava muito mais quando o reconhecimento envolvia a combinação de dois ou mais parâmetros dos objetos (por exemplo, curvatura e elongação) do que quando para o reconhecimento era necessário apenas um dos parâmetros.
Foram realizados também testes com um indivíduo com lesões no hemisfério esquerdo do cérebro (incluindo a área V4). Neste caso, o paciente tinha mais dificuldade nos experimentos em que apenas uma característica era necessária para o reconhecimento (isso também ocorre em pessoas normais, mas com baixíssima taxa de erro), enquanto nos experimentos que envolviam combinações de características seus resultados foram muito bons (a combinação facilita a identificação). Um experimento para determinar se os erros provinham da etapa inicial do processo de visão também foi realizado, provando que isto não era verdade.
Conclusão
A partir dos resultados dos experimentos há evidências de que a representação de formas em seres humanos é feita decompondo-as em características discretas, que devem ser integradas de alguma maneira para se obter informações sobre a forma completa. Nota-se também que características como curvatura, elongação e forma
cônica são utilizadas pelo ser humano para realizar o reconhecimento de formas.
Referência
Dudek, G., Arguin, M. and Bub, D. Human Integration of Shape Primitives.
O artigo pode ser baixado aqui. Uma cópia local também está disponível aqui.
Daniel André Vaquero
daniel at linux.ime.usp.br
Wed, 27 Aug 2003 15:40:34 -0300